Carta da fundadora

Luana Graziano, fundadora da ALKE

Carta da fundadora

A força vem de dentro.
E sempre veio.

Por Luana Graziano
25 de setembro de 2026

A força vem de dentro... e sempre veio. Mesmo nas horas em que eu achava que não tinha mais de onde tirar.

Eu achei que nunca mais iria fundar uma marca de roupa. Minha formação é moda e administração. Passei anos trabalhando com marketing e comunicação e, por muito tempo, achei que era boa nisso — até perceber que estava presa na roda do hamster.

Me demiti sem saber exatamente o que viria depois. Achei que entraria num ano sabático, mas não durou nem um mês: comecei a trabalhar numa empresa de neutralização de carbono. Ali, tive contato com pessoas que carregavam as mesmas inquietações que eu. Só anos depois consegui entender o que aquele momento estava me ensinando.

A ALKE nasce desse — e de tantos outros — aprendizados. E nasce com um nome que já carrega a resposta: em grego, ALKE significa força interior. Não é uma força que vem de fora, de um resultado, da imagem, de uma aprovação ou de uma roupa. É a força que a gente constrói quando decide, todos os dias, evoluir em vez de ficar estagnada.

O que a gente vende não é roupa... e eu sei que soa estranho vindo de uma marca de activewear. Mas é a verdade: a roupa é o meio, não o fim. O que a ALKE realmente entrega é um símbolo — de disciplina, de identidade, de pertencimento, de coragem para recomeçar.

Cada peça representa uma escolha que alguém fez para retomar o controle da própria rotina, do próprio corpo, da própria história. Por isso, não falamos só de tecido. Falamos sobre por que algumas pessoas conseguem manter disciplina e outras não. Sobre o que grandes atletas têm em comum. Sobre como o esporte muda a química do cérebro, como se cria um hábito, como se sai da inércia.

A roupa quase desaparece dessa conversa... porque o personagem principal não é O QUE, é QUEM... porque o que a ALKE representa é maior do que o que as pessoas vestem. Afinal, quem muda o mundo são as pessoas que DECIDEM.

Além disso, sustentabilidade não é diferencial, é pré-requisito. Quando comecei a desenhar a ALKE, uma coisa ficou clara: sustentabilidade não pode ser uma bandeira levantada em campanha e esquecida no resto do ano. Ou está no centro do negócio, ou não significa nada.

Por isso, somos a primeira marca brasileira de activewear construída sobre tecidos não tóxicos à pele humana, com certificação Oeko-Tex Classe I, tingidos com água de reúso — sem uso de água potável no processo e com repasse financeiro a projetos sociais que apoiam o esporte gratuito para crianças em situação de vulnerabilidade social.

Por isso produzimos no Brasil, com mão de obra local, cadeias mais curtas e mais rastreáveis. Por isso acreditamos que é melhor vender uma peça que dure do que trinta que se desfazem no primeiro uso.

Mas nunca quis moralismo ou que a ALKE fosse chata por causa disso. Sustentabilidade é a razão racional para comprar. Não é o que desperta o desejo. O que desperta desejo é a marca ser tecnológica, ser feita para quem busca evolução e performance — e, junto disso, não deixar rastro de dano para trás.

Tem uma frase que carrego comigo desde antes da ALKE existir: eu quero aproximar pessoas que buscam evolução, que saem do automático. E isso me obriga a pensar maior do que faturamento.

Por isso, parte do lucro da ALKE é — e sempre será — destinado a projetos que ensinam esporte de graça para quem não teria acesso a ele de outra forma. Hoje isso já acontece através do Projeto Vivo, que dá aulas gratuitas de jiu-jitsu para crianças, jovens e adultos na comunidade do Morro do Horácio, em Florianópolis, e do apoio à Fazenda São Nicolau, na Amazônia, onde reflorestamento e pesquisa científica caminham juntos.

Isso não é ação social de vitrine. É estrutural. Porque acredito que o esporte transforma quem pratica, e quem é transformado transforma quem está ao redor. Uma criança que aprende disciplina no tatame carrega isso para a escola, para casa, para a vida adulta.

É o mesmo princípio que vendemos em cada peça — só que aplicado a quem, sem a ALKE, talvez nunca tivesse essa chance.

Isso não é institucional. É pessoal. Não fundei a ALKE pensando em construir só mais uma marca de roupa esportiva no mercado. Fundei pensando nas pessoas que, como eu em algum momento, estão presas numa rotina que não faz mais sentido e não sabem exatamente como sair dela.

A roupa é só a ferramenta. A decisão de evoluir é o produto de verdade.

Sei que existe um caminho mais fácil: vender ideia de sustentabilidade sem mudar processo, vender motivação sem entregar estrutura, crescer rápido e resolver os danos depois. Não é esse o caminho da ALKE.

Prefiro crescer mais devagar e ter cada peça, cada parceria e cada real de lucro alinhados com o que a marca diz que defende.

A ALKE não existe para quem pratica esporte. Existe para quem decidiu evoluir — e escolheu o movimento como caminho para isso.

Se essa é também a sua decisão, a gente já tem muita coisa em comum.

Luana Graziano
Fundadora, ALKE